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sábado, 21 de maio de 2011

As quatro cartas

No espetáculo Véu Carmim, o público será envolvido nas linhas do destino junto com a personagem. E para escolher quais caminhos a vida/encenação deverá seguir, colocaremos nas mãos do público o baralho. Quatro cartas, para ser mais exata, onde cada carta indica um caminho diferente e uma nova reação da personagem. Inspirado no baralho árabe (mamlûk), criamos o nosso próprio baralho especialmente para o jogo deste espetáculo,relacionando os naipes originais com elementos da dança do ventre.


Lá, o naipe de Ouros é o Darâhim, que é o plural de Dirahm, o nome de uma típica moeda árabe de antiga origem grega – o dracma. No nosso baralho, representaremos as moedas penduradas nos xales de tecido das dançarinas. Nosso ouro será o véu.





Suyûf ("cimitarras, espadas, sabres"), cujo símbolo é a forma de um S negro que, olhado com mais atenção, revela em uma das extremidades a presença de um longo cabo com empunhadura, e ornamentos em relevo ao longo da haste, referindo-se certamente a sabres embainhados. Corresponde ao naipe de Espadas dos baralhos europeus. Para nós, representará o punhal.







O naipe de Paus é representado por eles por Jawkân, que significa tacos de pólo, cuja forma é longa e reta, com a extremidade em forma de L. Nós vamos associar a força dos tacos à intensidade do derbake, instrumento de percussão característico da região.





E, por último, o naipe de Copas, que para eles é o Tûmân, que significa "grande quantidade" e tem como símbolo cálices ou copas. Para nós representará as taças ou velas.




domingo, 24 de abril de 2011

O jogo do destino

Não é só mais uma encenação. É um jogo. Escolhas dos jogadores criadores e escolhas da platéia.
Tudo gira em torno de Alea = Sorte. A escolha aleatória da platéia põe o final da personagem nas mãos do destino. É inexplicável como todas as possibilidades me afetam de algum modo. Muito forte.
Ler a primeira parte do texto quase finalizado traz um monte de sensações diferentes.Que ansiedade para ver as reações do público. São quatro elementos, quatro caminhos diferentes em cada parte da peça. Ou seja, também quatro finais possíveis. Uma definição feita pela platéia, que não saberá todas as regras do jogo. Como na vida: caimos de paraquedas num jogo de escolhas. O velho e atordoante livre arbítrio, que nos dá a responsabilidade das nossas próprias vidas e que, às vezes, preferíamos não ter. A verdade é que somos responsáveis por nosso destino. Fizemos escolhas.
Mas, é bem verdade também, que algumas criaturas ultrapassam o limite da sua própria liberdade e invadem o espaço do outro. Tiram-nos a possibilidade do livre arbítrio. Somos enganados, traídos, manipulados... E ainda assim, talvez a gente se culpe por ter sido ingênuo suficiente para acreditar no outro.
Para Cassandra, nossa personagem, é tudo isso e um pouco mais. Um turbilhão de sensações e de dúvidas.
Lendo... me emocionando de novo... fiquei pensando:
Como será que vai ser o espetáculo no dia que VOCÊ assistir? - me pergunto.
Como será o final no dia da estréia?
Quantos dias teremos finais parecidos?
Será que vai dar tempo de experimentar o suficiente nessa primeira temporada?
Como será toda essa novidade para mim?
Uma surpresa todos os dias, creio eu.
E no meio desse furacão, quero apenas contar pra vocês a história de Cassandra e envolver o público com a força e a fragilidade de uma mulher.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Ensaiando!

Com um escopo do trabalho delimitado, que já incluia a nossa meta artística e a temática com a qual estamos trabalhando, iniciamos o trabalho de construção da narrativa cênica a partir da improvisação. No primeiro ensaio, propus um exercício de imaginação com o qual começamos a construir a cena do estupro sofrido pela personagem. Nos ensaios seguintes, trabalhamos com um exercício de interrogatório enquanto a atriz dançava. Em casa, selecionei e reorganizei as informações produzidas em um roteiro baseado no formato de um documento de game design, afim de usá-lo como base para as improvisações seguintes. Estabelecendo uma visão geral do espetáculo e um contexto, com a gênese da personagem e o enredo da peça. Três semanas depois do início do processo já temos uma estrutura dramática definida, passagens do texto verbal da personagem e ações físicas construidas. Hoje trabalhamos com um exercício desenvolvido por Boal, analisando físicamente as vontades e contravontades da personagem que estamos compondo. E o processo continua...

Preparativos

A proposta de trabalharmos juntos começou com um projeto de montagem da peça "Valsa no 6", de Nelson Rodrigues, em 2006. Depois, pensamos em trabalhar com um curta-metragem a partir de uma idéia de aborto provocado pela dança do ventre. Refletindo sobre um motivo forte que pudesse levar alguém a abortar, chegamos à violência sexual. Por fim, essa temática ganhou mais importância e tornou-se o foco do nosso trabalho.O texto de Nelson Rodrigues tornou-se uma inspiração para o desenvolvimento da linguagem do texto e o aborto, um dos pontos de discussão da peça.

Já começamos a ensaiar, no dia 07 de fevereiro. Em breve, divulgaremos a data de estréia.